Lei de Direitos Autorais

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

RÉU CONFESSO


Para tentar corrigir uma certa dislexia que me atormenta, talvez para extrair um fantasma acorrentado, ou provavelmente por nada e simplesmente por algum sentimento entorpecido...
O fato é que convidei todos para entrar deixando suas pegadas no meu jardim, descalços em um chão de delírios e suas sombras na minha lúdica caixa... Agora que me vejo em você, cúmplices da nossa  irônica  hipocrisia posso confessar.
O inconsciente é minha esfera armilar que mnemonicamente me faz recordar...
De  maneira aguda sou atirado para fora de mim e por um momento me  esqueço de acordar. Mas agora vejo!
Tenho  quase  certeza  que  ali existia uma ponte e que eu estava lá.
Me  reconheci  em você. 
Minha visão  estava   turva, suava frio e o medo agora  era real.
Meus olhos mergulharam em águas estranhas, mas a sombra me deu a certeza de estarmos juntos e de que  juntos  poderíamos atravessa -la.
Uma  certa sensação que  covardemente  apelidei  de  coragem,  tomou  conta  da  minha  natureza e   toda  aquela  soberba  envaidecida  e solidificada  de outrora, derretia  sobre  meus  pés, e pela milésima vez, mas com a sensação de um inviolado, me vi bicho, verme e implorei  por suas  pegadas.
Que  o  instinto humano ceda, é natural,  mas agora quebrar minhas verdades,  transgredir minhas próprias  razoes  daquilo que estava oculto  e  enxergar  em  pedaços… Do avesso me torno verso e minha Iris o inverso.
Terá  agora somente  uma  vontade  cega e uma tendência obscura de ser.
Meu coração triunfa com menos culpa por simplesmente compreender o que antes era distante e que pude libertar o prisioneiro. Jamais saberá ser superior a partir de agora, e no entanto,  livre para atingir o inatingível com minha própria pena. 
Hoje  celebro a minha passagem pelo limbo e expresso com clareza onde  minha  alma  virtuosamente  desejou  estar.
A   dor da força cósmica me abraça e o medo de me tornar algo, talvez a  orgia das idéias, ainda me assuste por não saber ao certo onde vai me levar. Talvez a certeza de ser carbono em estado bruto revitalize tua alma e me possa mostrar o caminho dessa verdade  incerta, ou viver na utopia, um lugar perfeito, harmônico e sem conflitos, onde o conceito de viver faça algum sentido em minhas artérias... Mas tudo começaria de novo com o claro lunar e na primeira oportunidade mancharia o mar com o sangue de meu genitor e certamente seguiria a minha mãe natureza a espera deVenus.
Agora que eu enxergo o rastro deixado por ela, sigo meu incerto caminho.
Realmente não a como fugir,  e me rendo aos seus encantos, doce vida que me leva em teu ciclo sem fim fazendo de mim um eterno recomeço. E recomeço aquecendo todas as manhãs meu magma adormecido.
Me lembro antes mesmo dos meus caninos, a importância da escuridão. E como foi essencial fixar minha alma naquela chama para  dialogar com minha sombra.
Você  fez tudo perfeito para que me tornasse aquilo que hoje um dia serei, e me usou  para expressar a grandiosidade de sua plenitude.
Posso parar o tempo agora! … Durante muito tempo habitei dentro da sua cabeça, vivendo seus sentidos, hoje descubro que sou gente, que sou indivíduo.


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